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Ana Paula Puga

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Pais e Líderes e seu lugar no mundo de ?hoje?

09/02/2012 • 08:11

Não podia deixar de escrever sobre o caos que temos visto noticiado nos últimos tempos em todos os tipos de mídias: a violência!

Então fiquei pensando sobre o que motiva tantas e tantas pessoas, jovens, velhas, homens, mulheres e até crianças a cometerem tais atos.

Fiquei pensando também sobre o lugar que pais e líderes ocupam no mundo de “hoje” (mais adiante explicarei o porquê das aspas), no lugar das famílias e também das organizações.

O vigia não tolera o comportamento de um cliente que insiste em realizar um procedimento após o fechamento da agência, e quando este último volta para tirar satisfações recebe três tiros. O jovem descobre que seu melhor amigo está interessado e sua ex namorada e por não aceitar tal traição resolve a situação dando facadas no até então melhor amigo. A professora, em cumprimento a uma norma da escola, tira o celular do aluno durante a aula e recebe chutes deste, que ainda a ameaça de morte. O funcionário não aceita a postura do chefe, e o xinga publicamente na rede social. O filho se sente magoado pelo pai então resolve mandar mata-lo. Já o pai para fazer o filho parar de chorar o espanca até a morte.

Poderíamos descrever um tanto de outras situações onde, em minha opinião, o motivador tem sido o mesmo: a INTOLERÂNCIA! Intolerância é uma atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças em crenças e opiniões.

Sim, porque eu não tolero o que você fez, independente de quem você seja, e simplesmente eu descarrego toda a minha raiva e toda a minha frustação sobre você, de forma irracional.

Para mim a intolerância tonou-se uma pandemia, ela vem se alastrando de forma descontrolada e assustadora entre todos os habitantes.

Então eu, que sou filha, que sou mãe, que sou esposa e profissional, lembrei de um tempo – do “meu tempo” – em que as relações eram diferentes. Vou dar alguns simples exemplos: em minha casa durante as refeições os mais novos esperavam o mais velho se servir, e tratavam os pais e avós por Senhor e Senhora, e quando eu queria algum brinquedo novo e minha mãe dizia “agora mamãe não pode comprar” eu acatava. Assim como na empresa, nosso líder direto e seus superiores eram tratados por Senhor e Senhora, até que estes nos deixassem a vontade para chama-los apenas pelo nome. O lugar na fila do restaurante na hora do almoço era cedido gentilmente as mulheres ou aos mais velhos.

E o mais importante é que tudo acontecia de forma natural, sem autoritarismo. Isso porque sabíamos o nosso lugar e o lugar de nossos pais e de nossos líderes.

Sou o tipo de pessoa que levanta a bandeira da educação e do respeito, e que acredita que o lugar dos pais, dos líderes, das famílias e das organizações é o de EDUCADORES! Sim, devemos educar nossos filhos mostrando para eles os limites, disciplinando-os, dando exemplos de bons comportamentos, mostrando para eles o que é certo e o que é errado, mostrando que cada ação tem uma consequência e uma reação e que cada um é responsável por seus atos. Como líderes devemos também educar nossos colaboradores estabelecendo normas e procedimentos internos e explicar o por que é importante obedecer a estas, devemos dar feedbacks constante para que saibam o que é esperado deles e estarmos a disposição para ajuda-los sempre, devemos ter uma comunicação aberta e estar sempre abertos a ouvir para fazermos melhor continuamente, devemos também dar exemplos para que nosso diálogo esteja alinhado aos nossos atos para que sejamos sempre fonte de inspiração.

E acima de tudo devemos, como pais e como líderes, agir com AMOR, o amor verbo. Porque quem realmente age com amor não abdica de seus papéis, não foge de suas responsabilidade, não “faz vista grossas” para o erro de seus filhos ou funcionários só para não quer “bater de frente”, não permite que se burlem regras e normas só para parecerem legais, não passam a mão na cabeça diante de um ataque de birras ou “mal criação” achando que no pouco tempo que tem com eles não deve corrigi-los.

Já aos filhos e aos colaboradores cabe entender que existe uma hierarquia sim, seja na família seja na organização, e que esta deve ser respeitada sim.

Ah, sobre as aspas no início do texto na expressão mundo de “hoje” eu explico: é assim as pessoas estão se acostumando a justificar os comportamentos inadequados, sejam eles de quem for e de onde for. O mundo pode até passar por mudanças, mas os valores não.

A pandemia da intolerância só será controlada quando cada pai, cada líder, cada família e cada organização se conscientizar e assumir que seu lugar é o de educador, transmitindo assim os verdadeiros valores necessários a uma convivência saudável entre todos!

 

Ana Paula Puga

Ana Paula Puga

anappuga@gmail.com

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