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Editor carioca acha a autobiografia de Arthur Friedenreich

01/08/2011 • 15:45

Diário do primeiro herói do Futebol brasileiro é encontrado

 

Até hoje, havia poucos registros do primeiro grande jogador de futebol do Brasil. Arthur Friedenreich, filho de alemão com uma empregada doméstica negra, alegrava a todos nos primórdios do futebol brasileiro. O editor carioca Cesar Oliveira recebeu uma doação de obras sobre o futebol recentemente, e entre elas, estava o diário de Friedenreich. 
 
Astro do futebol entre 1900 a 1930, Friedenreich foi o autor do primeiro título do Brasil, em 1919, no sul-americano disputado e organizado aqui mesmo no Brasil. No último jogo contra o Uruguai, empate de 0 a 0, e como não havia pênaltis, a partida teve duas prorrogações, e só aos 150 minutos, Fried marcou o gol histórico do título. 
 
Na época, de 1900 a 1930, havia muitas descriminações contra negros e pobres no futebol. Existia uma lei até 1920, que proibia que eles jogassem pelos clubes, todos considerados da elite. Fried não era Negro, apenas um pouco escuro, mas os olhos verdes e o sobrenome alemão era o passaporte para mundo dos ricos. O cabelo crespo, ele alisava todas as vezes que entrava em campo, chamando mais atenção. 
 
Conheça agora alguns trechos da autobiografia deste primeiro herói brasileiro, que as organizações Globo teve acesso e publicou: 
 
Casa
Nasci na cidade de São Paulo, a 18 de julho de 1892, na Luz, à rua do Triunfo, nº 8, numa casa pequena, rés do chão, porta e três janelas, lampião de gás à frente, ao qual trepei muitas vezes, em traquinadas precoces.
 
Família
Meu pai, Oscar, era alto com seus metro e oitenta e cinco, delgado, forte, barbicha, cabelos crespos e loiros, rosto magro, onde brilhavam olhos verdes vivíssimos. Minha mãe, pelo pouco que me lembro, era magra, bem mais baixa que meu pai, morena, olhos pretos, muito calada.
Aprendizado
Fui aperfeiçoando meus recursos olhando Charles Miller, chutando a redonda sob seu olhar, que foi assim como o meu professor primário no futebol. Mas coube a Hermann Friese, que fora campeão no futebol alemão, me ensinar o secundário e o superior. Com ele, comecei a subir a ladeira e cheguei à efetivação no nível mais alto do futebol.
Estrelato
Fui infalível ali naquelas domingueiras, chegando a correr três matches de enfiada, mudando camisas com a mágica de um transformista. Tirava a de um clube, e logo enfiava a de outro. Fui astro do Eden, do Paulicéia, do Bela Vista, do Vila Buarque, dos Campos Elíseos, do Bela Cintra, do São Paulo F.C., que não alcançaram jamais a condição de clubes tamanha a penúria de recursos."
 
Por Renan Quintanilia - ABCD Esporte
 
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