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"Pecamos no nosso ensino superior", diz professor

16/02/2012 • 10:37

Para o docente Moacir Assunção, a educação superior é o calcanhar de Aquiles do Brasil

No ABCD Net News Entrevista 2ª edição, do dia 9 deste mês, Manoel Alves recebeu para a conversa o convidado Moacir Assunção, docente na Universidade São Judas e jornalista, para discutir educação e o ensino superior em geral hoje em dia, e dar sua opinião profissional sobre o assunto.

Jornalista há 20 anos, professor universitário há 8 e com 8 livros publicados, ele é também especialista em ciências sociais e mestrando em história, na PUC. Moacir trabalha em jornal diário e também no rádio, promove cursos e já foi diretor do sindicato dos jornalistas. Para Moacir, apesar de achar que existem boas faculdades, o ensino superior é o "calcanhar de Aquiles" do Brasil nesse momento histórico. "É onde lamentavelmente falhamos. Nós temos algumas universidades de excelência, principalmente as públicas, algumas boas privadas, mas ainda não conseguimos fazer com que a maior parte dos jovens brasileiros tenham acesso à universidade. Esse panorâma tem melhorado um pouco nos últimos tempos, com alguns programas governamentais, como por exemplo o PROUNI, mas ainda não é o suficiente", afirma o professor.

Mas além das instituições, segundo o docente, mesmo os que alcançam o nível universitário, não estão recebendo a qualidade de ensino necessária para que formemos grandes profissionais, premiados no mundo, pois o foco do brasileiro está desviado. "Nossa principal dificuldade agora é na qualidade, em todo o nosso ensino superior, principalmente comparando com nossos vizinhos argentinos, uruguaios e venezuelanos. Pecamos em muitos aspectos, somos a 8ª economia mundial e nosso ensino superior ainda não está nesse nível. Nossos vizinhos argentinos têm 3 prêmios Nobel de literatura, nós não temos nenhum. Há uma teoria que diz que se fossemos montar times de futebol, nós teriamos material humano para vários times, e todos seriam grandes campeões. Entretanto, temos poucos literatos, poucos físicos, poucos bons escritores", diz.

E ainda para ele, o motivo é que nossos objetivos aqui no país são desviados da educação. Segundo Moacir, poucas pessoas batalham para se formarem grandes profissionais em áreas importantes. "Como todo mundo joga futebol, eles são passados pelo funil e os melhores dos melhores são selecionados, você tem muita gente boa pra escolher. Mas como são poucos chegam a ser físicos, escritores, literatos, químicos, médicos, aí esse funil é muito menor, você tem poucos profissionais qualificados em situações que seriam essenciais, então acabam até importando profissionais, o que é muito triste", explica.

Veja a entrevista na íntegra assistindo a reprise.

Por: Nayra Brighi

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